As fotos expostas, assim como os textos escritos, salvo nas situações devidamente referidas, são de minha autoria ou, eventualmente, dos que me são próximos. A sua apropriação indevida está vedada a quem o fizer sem a minha autorização. Como compreenderão.

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Gerês, do lado de cá... ou Xurês, do lado de lá.


No Sábado passado, oito, do mês de Maio, tive a oportunidade de trilhar alguns trilhos, desculpem-me a redundância, em virtude de um convite que me foi endereçado por um amigo, que de tempos a tempos se lembra da minha vocação desportiva, mas também socialmente aventureira. Fiz uma pausa na intensidade e apostei no volume e no convívio, porque um amigo leva-nos a outros amigos. Em boa hora a razão e o coração se uniram na decisão de aceitar tão caloroso desafio. E se valeu a pena! Como o sentido é partilhar, deixo-vos algumas das fotos roubadas à natureza ela mesma, sulcada pelos pneus das "nossas" rodas, por  entre as sensuais e curvilíneas formas da montanha, por vezes agrestes, outras suaves, que  ora inclinando-se para cima, ora inclinando-se para baixo, nos deu o prazer de as percorrer; Gerês para nós, Xurês para eles, mas em tudo a mesma Serra. Das paisagens deixo-vos exemplos de mosaicos de lugares pouco frequentados. As  fotos não são da minha autoria, mas dos companheiros de jornada.















































































































sexta-feira, 7 de maio de 2010

Correntes de Água.


Nestas correntes que me amarram
Às dores que vou sentindo
Choro desgraças e alegrias
Veios de água perdida 
Que me talham a alma
Para outras empreitadas desta vida

Num repente, sinto-me esvaído
Do sentimento lateral, quebrado ou partido
Há diferença?
Porque se me apertam os olhos,
Quando pensando sinto?
Porque se me turva o coração,
Quando entre a verdade e a mentira,
Nada distingo?

De uma nuvem corrida
Desafiando o poder da gravidade
Caiem correntes de água
Que num truque  de magia
Me deleitam e deliciam
Curando-me esta e aquela ferida
Ensinando-me que tudo mais não é
 Uma quimera, a nossa vida.





sexta-feira, 16 de abril de 2010

Janelas!


Da minha janela eu observo em silêncio e admiro,
As jornadas quentes, frias, e assim-assim,
Revejo o dia  e a noite, o sol e o luar,
Revezando-se numa sincronia compassada;
Um tic-tac que não nos dá tréguas.


Da minha janela eu sinto as lamurias das pessoas quando passam,
Os sorrisos atrevidos, os risos soltos,
Mas também os gemidos dos que sofrem, dores esmurradas no seu interior
Pela vergonha de as exprimir...


Sobre o parapeito da minha janela eu debruço-me...
Para aqueles que brincando e rindo, me fazem também sorrir,
E numa fracção, me transportam ao baú onde revejo tempos de meninice,
Saudades boas...


Da minha janela vejo os meninos que se tornam homens e mulheres...
E os homens e mulheres que voltam a ser meninos.
Vejo os que partem e não voltam, mas também os que renovam as cores que vislumbro desta janela.
Apercebo-me do tempo que escava o rosto dos que fintam as tramas ardilosas da morte,
Como se caminhassem de mão dada.  


Da minha janela, vejo os gradientes coloridos que a natureza, prodigiosa, nos oferece,
Em sintonia com as estações que por nós passam, indiferentes a tudo, menos à sua prórpia determinação.


Da minha janela eu observo, os que apressadamente correndo,
Vão, de tropeção em tropeção, atrás da ilusão de uma vida,
Alicerçada noutras ilusões, ancestralmente construídas sob a digna arte de fingir
Que assim temos uma vida e acesso directo a um lugar confortável num paraíso qualquer.  
Da minha janela sinto as sombras que vagueiam escondidas na noite,
Em busca do tempo perdido na luz do dia.


Da minha janela por vezes perco-me...
No emaranhado da dialéctica do bem e do mal,
Da razão desta existência, da natureza das coisas e da nossa própria, 
E que me levam a perguntas que se perdem na sua própria compreensão, e que sem resposta permanecerão.




Da minha janela, eu ergo o meu corpo e espreguiço-me para a vida,
Que borbulha do lado de lá, chamando a mim as suas fragrâncias, as suas cores e sons! 
E se fecho a minha janela, ela mantém-se circunspectamente atenta à vida que fervilha para lá de si,
Para lá de mim e de ti, para além de tudo e de nós todos.


sexta-feira, 26 de março de 2010

O Inverno dos Meus Pensamentos



Lamento...
Que nos esqueçamos com inusitada frequência da existência de uns e de outros ...
Que cordiais sejamos em função dos interesses que perseguimos...
Que não perseguimos quem devíamos lembrar...
Que não lembramos quem devíamos perseguir,
Muitos dias da nossa vida.


Lamento...
Que apontemos o dedo com tanta frequência.
Que não saibamos ouvir o que não desejamos escutar,
Que o que nos querem dizer não tenha lugar na nossa tolerância.
Que sejamos difíceis para com os outros e fáceis para connosco,
Muitas vezes, no mesmo dia da nossa vida.



Lamento...
Que não queiramos ver um pouco para além do nosso próprio olhar,
Que o preconceito se transforme na virtude dos nossos hábitos,
Que exibamos essa virtude para nos tornarmos distantes de tudo o que apreendemos,
Que essa distância se alongue tanto, tanto...
Que não haja reversibilidade possível, ainda que tentemos contrariá-la,
Num dia qualquer da nossa vida


Lamento...
Que não haja sol no pensamento de muitos, antes demasiada nebulosidade,
Que quando se sorri, não o seja mais que  uma imitação frágil de um qualquer acto encenado...
Que se desista, das pessoas, das ideias, com a mesma indiferença com que olhamos para a desigualdade,
Que sejamos, afinal, tão pouco solidários no dia a dia...
Que amanhã desistamos de nós próprios, esquecendo tudo o que foi feito em nosso proveito,
Que transformemos a primavera das nossas vidas no inverno dos nossos pensamentos,
Numa qualquer vida, um dia.

sexta-feira, 19 de março de 2010

Dias de Verão!


Persigo o sol e o mar

Embriagada pelo vento

Chorando os sonhos desfeitos em areia morna

E na espuma desse mar que me arrefece

Eu flutuo, lentamente

Encontrando vida

No abraço do sol que não me esquece 



(Poema é da autoria de Maria João; encontra-se publicado no seu blogue "Pequenos Detalhes") 

sábado, 13 de março de 2010

Tábua!

Tábua é uma serena Vila, situada nos limites norte do Distrito de Coimbra, mas tão próxima de Viseu que se diria pertença desta, mas não; pertence a ela própria, ou não fosse esta Vila das poucas vilas que são sede de Concelho. Tal como eu lhe pertenço, na genética das minhas origens. Desde miúdo que para lá caminho, e depois de um interregno, próprio de quem procura os seus lugares, para deles fazer seus espaços, a Tábua voltei porque aí me encontrei, entre o meu passado e o meu futuro, transportando no presente os cheiros, os sabores, as imagens guardadas nos arquivos da nossa própria história, as vivências de então, que me ajudam a suportar melhor a dor de quem partiu e que de Tábua surgiu, e a quem agradeço muito do que sou hoje, enquanto Pessoa.
Este lugar não é diferente para mim dos outros lugares que o são para os outros, que somos todos nós. Cada um de nós, por isto ou por aquilo, tirou das suas terras de infãncia as melhores experiências que, hoje, sabemos terem, e o significado importante que têm no espaço da nossa  vida, na vida de cada um de nós. Para mim será Tábua, para ti será outro nome tão dissemelhante como similares serão as sensações que ambos temos desse tempo vivido em idênticas circunstâncias, que foram as circunstâncias da maioria de nós, na altura.
A Tábua continuarei, caminhando, percorrendo as distâncias necessárias, para de lá voltar revigorado, como se a uma cura tivesse recorrido por motivos de saúde; porque de Tábua regresso com os cheiros de então, as memórias reavivadas, porque lá me  reencontro com a minha infãncia, e porque esta me dá aqueles que hoje não podem estar comigo, porque para os ter como os gosto de sentir, terei de voltar a Tábua, sempre!

A Tábua voltarei também aqui.


































terça-feira, 2 de março de 2010

Dá-me a tua mão...


Dá-me a tua mão...
Deixa-me chegar-te...
Entrega-te em minha mão...
Quero sómente tocar-te...



Destina-te em minha mão...
Permite-te que eu te sinta...
Quero-te sem razão...
Ainda que essa nos minta.


Anda, vem, sente-me...
Dá-te, apenas e só o que tu és...
Afagar esse teu cheiro, deixa-me...
Pouco interessa senão me vês...


Dá-me essa tua mão...
Chega-te, abraça-te a mim...
Desejo-te sem querer e sem razão...
Loucura será, desejar-te assim...


(continua...)