As fotos expostas, assim como os textos escritos, salvo nas situações devidamente referidas, são de minha autoria ou, eventualmente, dos que me são próximos. A sua apropriação indevida está vedada a quem o fizer sem a minha autorização. Como compreenderão.

terça-feira, 29 de março de 2011

Epílogo de um Tumulto.





Num ápice...
Nimbos e Cumulos, Cumulos e Stratus, acotovelaram-se no céu,
Obedecendo à fúria que a ambos trazia.
Ameaçadoras,  precipitaram-se na sua ânsia,  
Arregaçando ventos, 
Semearam tempestades. 
O mar, encapelado, uniu-se-lhes na ira
Lançando vagas, removendo areias
Estremeceram rochedos.
A terra, esbaforida, remexeu campos e estradas, 
removeu lugares, desenhou novas fronteiras.
Juntos, varreram gentes e coisas,
Sobressaltaram Deuses, 
Ameaçaram a ordem que, atónita e desalentada,
Aturdida e desesperada,
Cedeu no seu cansaço,
Ás ordens da essência das coisas, 
Da sua própria essência, da sua própria natureza,
Razão de sua existência.

segunda-feira, 21 de março de 2011

Vertigem




Há uma Lágrima Suspensa

Debutante...ou talvez criança

Verde fruto daquela desavença

Gotícula sombreada a negro

Prenhe duma certa esperança

Graceja em elástico oculto

Em delírio, de tão frágil equilíbrio 

Uma noite...ou será um dia?

Desprender-se-á do seu tumulto

E  rebenta! concerteza

De tanta ousadia.

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Há Dias Assim






Há dias de tempestade,
Onde, soprando tamanho vento,
Num ápice deixas de respirar

Fecha os olhos, inspira fundo
Deixa passar algum do tempo
Vais ver que muito há para …

Serão dias frios, negros, invernosos
Esporadicamente iluminados
… Momentos silenciosos

Que te gritam tanto, tanto gritam
Que os terás de calar
A eles une-te para que parem de te gritar

Leva-te nesse tempestuoso vento...
Deambula por onde ele desejar
Não contraries o que não queres ou podes

Sente a energia desse tempo
Que em ti irás reencontrar
Faz dela tuas forças

Sorve as suas agruras,
Mastiga esse teu desespero,  
Despoja-te dos preconceitos

E abraça-te a ti mesmo
Olha que te aguardam
Outros dias, outros feitos

Novas vontades e desejos,
Dança dos sentidos, 
Dádiva do poder Amar


sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Feliz Natal

Neste Natal…
Não tenho nada para te dar
Tenho, isso sim, gestos para te oferecer.

Ofereço-te este abraço
Para que ele te possa confortar

Ofereço-te este sorriso
Para que ele te possa alegrar

Ofereço-te esta mão
Para que ela te possa saudar

Ofereço-te esta amizade
Para que ela te possa amar

Neste Natal…
Não tendo nada para te dar
Tenho, isso sim, tanto para celebrar

Feliz Natal!

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Cães Vadios


Há dias em que me cruzo com eles...
Cheiro-lhes os gestos, o dorso encurvado,
a cabeceira encapuçada.


Deambulam à procura do nada,
à procura duma ideia desgarrada
do tempo que não tiveram,
dos sarilhos...
que atraiam sobre eles
as atenções que os olvidaram
quando meninos


São gente escondida nas sombras da noite,
sorvendo o frio...
ou a chuva ...
ou o vento...
escudos da sua existência.


São predadores em ebulição,
à espera duma razão,
apenas a sua,
para mostrarem os dentes
e as garras
com deleite afiadas
pela revolta
que não pretendem disfarçar


Espalham de soslaio
os prolongados olhares,
inseguros poderes
destes catraios despudorados,
assombrados maltrapilhos
pelas agruras dum destino,
que lhes desorientou a agulha
da desdita,
na condição meio finita
de um ensaio


É gente desviada
de imaginadas quimeras
que soletram nas trevas
do seu desespero
uivos insanos,
como cães vadios
na demanda do perdão
dos que,
lhes dando a mão,
lançam pontes sobre rios
tentando vidas
com melhor tempero

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Presépios de meninos.

O imaginário criado à volta da figura do Menino Jesus esteve presente desde que me conheço, fruto de uma educação familiar também ela produto do seu tempo próprio. Algures no caminho cruzá-mo-nos, penso que todos nós, com o Pai Natal. Sendo simpático, como quase todo o bonacheirão, também oferecia prendas (e parece que ainda oferece, a despeito da crise). Não sei como é que o Pai Natal conseguiu destronar o Menino Jesus, qual o super-poder que usufruiu para conseguir derrotar o Herdeiro do Reino dos Céus. Mas conseguiu. Se foi a coca-cola ou só a cola ou apenas a coca, não sei. Sei, isso sim, é que fez um negócio da china com o Menino Jesus e dele não mais se ouviu falar. Não mais, não será completamente verdade. Em algumas povoações mais a norte de Portugal, onde ainda se concentra muita da tradição cristã de outrora, a evocação do nascimento de Jesus é muito vivida também junto dos mais novos. Provavelmente porque a Igreja está ainda muito próxima das pessoas. Provavelmente porque as pessoas ainda não se afastaram da Igreja. Provavelmente porque as pessoas ainda não se afastaram da fé ou a fé não se afastou delas. Ou porque os sócios do Pai Natal ainda não descobriram outras estratégias para os atraírem a favor sua causa. 
Bom, na realidade tanto o Pai Natal como o Menino Jesus coexistem nesta bela época e nesta região. Lá se terão unido numa jointventure e estabelecido as respectivas fronteiras; tu ficas com a educação da carteira, eu fico com a educação da fé. Provavelmente. No final, acho que já ninguém se entende porque a fé toma conta da carteira e esta da própria fé e tudo se complica.
Seja como for, no passado fim de semana tendo-me deslocado a uma terra próxima desta onde vivo, e por obra do acaso, também eu me cruzei não com o Pai Natal (isso já foi há muito...), mas com os meninos das escolas básicas do 1º ciclo do Concelho de Fafe que ainda vivem a fantasia do Natal, talvez próxima daquela que eu vivi. E deparei-me com alguns dos trabalhos por eles elaborados, concerteza com a supervisão e o empurrãozinho dos seus professores, mas talhados com muita imaginação e espírito criativo que não quis deixar de também vos dar a conhecer, a despeito da fraca qualidade dos "mosaicos", mas teve de ser assim, com o melhor que tinha "à mão". O certo é que admirando os presépios que vos trago, eles sorrateiramente deram-me a mão e dei comigo esticando-me no tempo, bem lá para trás, numa altura em que a tradição tinha encantos que não me atreverei a classificar, porque cada coisa no seu tempo (mas que marcaram profundamente todos aqueles que como eu vivenciaram essa época), deixando que a nostalgia me dominasse e com ela também me trouxesse, não só o Menino Jesus, mas também todos os que me educaram a respeitá-lo, dando novamente sentido à palavra Saudade!   



















terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Sunset In Alentejo

Admito que tenho um forte fascínio pelo pôr-do-sol. Também pelo seu nascer, mas como não é de todo vulgar apreciá-lo na latitude onde vivo, contento-me por o poder observar nos momentos em que de nós se despede, soltando-nos paulatinamente para depois nos levar o olhar fixo no horizonte que acabou de moldar, para sempre. 
Voltarei para mais ...sunsets. Entretanto, espero que gostem do que vos trago hoje para partilhar.