As fotos expostas, assim como os textos escritos, salvo nas situações devidamente referidas, são de minha autoria ou, eventualmente, dos que me são próximos. A sua apropriação indevida está vedada a quem o fizer sem a minha autorização. Como compreenderão.

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Douro dourado.

Em 2003 tive a feliz oportunidade de concretizar um desejo há algum tempo ambicionado: viajar pelo leito do rio Douro e apreciar as famosas paisagens e vistas com que aquela região, complacente e melancólica, por vezes, assombrosa e circunspecta, noutras, íntimista  e intrigante, em acasos, nos oferece.
Especialmente para aqueles que ainda não tiveram esta oportunidade; para os outros que só muito vagamente poderão vir a disfrutar dessa possibilidade, deixo-vos alguns dos mosaicos que ficaram registados na memória dos que, juntos, saboreamos o momento.

































quinta-feira, 13 de maio de 2010

Gerês, do lado de cá... ou Xurês, do lado de lá.


No Sábado passado, oito, do mês de Maio, tive a oportunidade de trilhar alguns trilhos, desculpem-me a redundância, em virtude de um convite que me foi endereçado por um amigo, que de tempos a tempos se lembra da minha vocação desportiva, mas também socialmente aventureira. Fiz uma pausa na intensidade e apostei no volume e no convívio, porque um amigo leva-nos a outros amigos. Em boa hora a razão e o coração se uniram na decisão de aceitar tão caloroso desafio. E se valeu a pena! Como o sentido é partilhar, deixo-vos algumas das fotos roubadas à natureza ela mesma, sulcada pelos pneus das "nossas" rodas, por  entre as sensuais e curvilíneas formas da montanha, por vezes agrestes, outras suaves, que  ora inclinando-se para cima, ora inclinando-se para baixo, nos deu o prazer de as percorrer; Gerês para nós, Xurês para eles, mas em tudo a mesma Serra. Das paisagens deixo-vos exemplos de mosaicos de lugares pouco frequentados. As  fotos não são da minha autoria, mas dos companheiros de jornada.















































































































sexta-feira, 7 de maio de 2010

Correntes de Água.


Nestas correntes que me amarram
Às dores que vou sentindo
Choro desgraças e alegrias
Veios de água perdida 
Que me talham a alma
Para outras empreitadas desta vida

Num repente, sinto-me esvaído
Do sentimento lateral, quebrado ou partido
Há diferença?
Porque se me apertam os olhos,
Quando pensando sinto?
Porque se me turva o coração,
Quando entre a verdade e a mentira,
Nada distingo?

De uma nuvem corrida
Desafiando o poder da gravidade
Caiem correntes de água
Que num truque  de magia
Me deleitam e deliciam
Curando-me esta e aquela ferida
Ensinando-me que tudo mais não é
 Uma quimera, a nossa vida.





sexta-feira, 16 de abril de 2010

Janelas!


Da minha janela eu observo em silêncio e admiro,
As jornadas quentes, frias, e assim-assim,
Revejo o dia  e a noite, o sol e o luar,
Revezando-se numa sincronia compassada;
Um tic-tac que não nos dá tréguas.


Da minha janela eu sinto as lamurias das pessoas quando passam,
Os sorrisos atrevidos, os risos soltos,
Mas também os gemidos dos que sofrem, dores esmurradas no seu interior
Pela vergonha de as exprimir...


Sobre o parapeito da minha janela eu debruço-me...
Para aqueles que brincando e rindo, me fazem também sorrir,
E numa fracção, me transportam ao baú onde revejo tempos de meninice,
Saudades boas...


Da minha janela vejo os meninos que se tornam homens e mulheres...
E os homens e mulheres que voltam a ser meninos.
Vejo os que partem e não voltam, mas também os que renovam as cores que vislumbro desta janela.
Apercebo-me do tempo que escava o rosto dos que fintam as tramas ardilosas da morte,
Como se caminhassem de mão dada.  


Da minha janela, vejo os gradientes coloridos que a natureza, prodigiosa, nos oferece,
Em sintonia com as estações que por nós passam, indiferentes a tudo, menos à sua prórpia determinação.


Da minha janela eu observo, os que apressadamente correndo,
Vão, de tropeção em tropeção, atrás da ilusão de uma vida,
Alicerçada noutras ilusões, ancestralmente construídas sob a digna arte de fingir
Que assim temos uma vida e acesso directo a um lugar confortável num paraíso qualquer.  
Da minha janela sinto as sombras que vagueiam escondidas na noite,
Em busca do tempo perdido na luz do dia.


Da minha janela por vezes perco-me...
No emaranhado da dialéctica do bem e do mal,
Da razão desta existência, da natureza das coisas e da nossa própria, 
E que me levam a perguntas que se perdem na sua própria compreensão, e que sem resposta permanecerão.




Da minha janela, eu ergo o meu corpo e espreguiço-me para a vida,
Que borbulha do lado de lá, chamando a mim as suas fragrâncias, as suas cores e sons! 
E se fecho a minha janela, ela mantém-se circunspectamente atenta à vida que fervilha para lá de si,
Para lá de mim e de ti, para além de tudo e de nós todos.