Trago comigo há muito tempo esta ideia, agora concretizada, de PARTILHAR...lugares, que tiveram a veleidade ou o poder de me tocar, em alguns casos PESSOAS, que fazem parte do meu universo de vida, eventualmente objectos, que de algum modo ou de outro, tiveram o seu papel por alguma razão. Como o tempo nos dá as oportunidades que por isto ou por aquilo deixamos escapar em algum momento, surge agora através deste blogue a concretização da ideia anteriormente referida, mas agora facilitada.
As fotos expostas, assim como os textos escritos, salvo nas situações devidamente referidas, são de minha autoria ou, eventualmente, dos que me são próximos. A sua apropriação indevida está vedada a quem o fizer sem a minha autorização. Como compreenderão.
sábado, 11 de abril de 2015
Desejo
Na areia
no estendal
na sementeira
a meio do quintal
com um travesseiro
de cores garridas
e ao longe
umas espigas crescidas
quero foder-te
aí mesmo
nesse emaranhado de coisas
sem camas
e outras tretas
quero rasgar-te
e nos teus ouvidos
gemer-te
sugar-te as mamas
e apurar os sentidos
quero foder-te, sim...
à distância de um beijo
entre laços de pernas
em solfejo
cheirar-te
por dentro
esse perfume
intenso
de tília e jasmin
quero que quero
tamanho sem fecho
pendurado aqui e ali
agarrado onde for
sorver-te tão só
espalhar-te
todo este ardor
em teu corpo
apanhar-te
vestido ou despido
tanto se me dá
apenas te desejo
sugar-te
sem piedade, sem dó
e depois...
quero largar-te
para bem longe
...de ti e de mim...
deixar-te...
sem lágrima
sem angústia
sem lamento
de termos fodido assim
quinta-feira, 26 de março de 2015
Fala-me do Amor.
Fala-me do amor
dos dias exauridos
das vontades refeitas
das alegrias e tristezas
quimeras e rudezas
da vida
certo dia sonhada
outro travada
Soletra-me essa palavra
e olha com vontade de ver...
..o dia a nascer...
...a noite a sumir...
as dores a crescer
e a esperança a partir
E explica-me
essa coisa
que é partilhar
a memória do ter
sempre
quando me cruzo
com o teu olhar...
um dia,
sentirei a tua falta
ou tu a minha
que interessa?
se neste tempo todo
me deste o sublime prazer
de todas as noites
usufruir,
colados no mesmo peito
nesta vida
neste leito
que juntos
nos viu nascer
Antes...
deixa dizer
que te agradeço
o tudo
e o todo
e mais aquilo
e aqueloutro
as maleitas
e as mezinhas,
as ervas daninhas
os risos,
ambos
nos mesmos braços
vida sem preço
porque
tudo o que em ti
toquei
por amor
me deixei
Sim, fala-me do amor...
sexta-feira, 20 de março de 2015
Hoje!
Hoje eu vou ser feliz
vou pular-me
vou cantarolar-me
vou respirar-me
Hoje eu vou ser feliz
quero transbordar
quero viscerar
quero javardar
Hoje eu vou ser feliz
vou correr
vou divagar
vou encaracolar
vou ensarilhar
Hoje eu vou ser feliz
quero desnudar-me
quero ensurdecer-me
quero rasgar-me
Hoje eu vou ser feliz
vou gritar
quero GRITAR
vou ensarilhar
Hoje eu vou ser feliz
quero desnudar-me
quero ensurdecer-me
quero rasgar-me
Hoje eu vou ser feliz
vou gritar
quero GRITAR
preciso de fazer soar
esse grito
enteado de mim
essa baderna
que gargalha assim
esse grito
enteado de mim
essa baderna
que gargalha assim
Foda-se!!! quero viver!!!
Hoje eu QUERO SER FELIZ!!
terça-feira, 17 de março de 2015
Paixão...
Ah! Paixão, paixão...
Onde tu moras,
eu também não.
Onde tu despontas,
eu direi que sim
Onde tu versas, eu sei que...
enfim...
Onde tu navegas, eu me cruzo,
talvez...
Quando partes, eu direi...
certa vez!
Onde tu chegas, eu sei que...
é assim.
Que desejas,
eu também, quem sabe?
Uma metade?
Nada menos que inteiro
Se me fico,
é porque me agarras,
É do meu freio.
Pergunto-me...
Em que zona dos céus viajas?
Em que esquina das nuvens te escondes?
Porque me apareces,
De repente,
Onde só há água das fontes...
Quando de ti,
Nada me apetece.
E se te arrefece,
Porque desejo infinitamente,
Loucamente,
Desesperadamente?
Sem gota de razão.
Ah! Paixão, paixão...
Onde tu vives,
Eu também não.
segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015
Porquê, esse teu olhar....
![]() |
| (Imagem recolhida na web) |
Porquê tanta dor nesse teu olhar?
Porque esgarças
braços e pernas
só por admirar?
Porque não sentes clamor
Quando tanto tens para dar?
Porquê, alma danada,
Cruz encrespada
Mulher amarrotada...?
Porque não abrigas o ardor?
Porque não veneras
a lava em seu esplendor?
Porque não detonas de teu ventre
O viço do teu ser?
A fúria do teu amor?
A graciosidade que ´
somente tu tens
nesse teu olhar?
segunda-feira, 26 de janeiro de 2015
Dor de gente...
Se tens dor de gente,
daquelas que só o coração sente,
então...
chora lágrimas de vento,
faz olhos de trovoada,
grita sons de tempestade
e no fim,
fica sem...NADA!
quinta-feira, 15 de janeiro de 2015
Perdoo-te!...
Sim, perdoo-te...
As noites não esquecidas
O desvario do meu ser
O desengano dos sentidos
O frio entardecer...
Sim, perdoo-te...
O desejo traído
Por um passado irascível
Dores cravadas, que terão ido
Em busca de um amor impossível
Sim, perdoo-te...
A imensidão desse sentir
Porque negra é a sua fome
Voraz em destruir
A beleza que não tem nome
Sim, perdoo-te...
Porque só agora compreendo
As feridas inculcadas
Na minha alma dilacerada
Razão de uma dor, em crescendo.
Por isso te perdoo,
A ilusão do sentir
Sonhos feridos
Vontades desfeitas
A força de partir.
Mas, serei eu?
Alguém para perdoar?
Se em ti procurei
O que em mim encontraste,
A mesma ânsia, o mesmo elixir,
A mesma convicção do amar!?
Mas, serei eu?
Alguém para perdoar?
Se em ti procurei
O que em mim encontraste,
A mesma ânsia, o mesmo elixir,
A mesma convicção do amar!?
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