As fotos expostas, assim como os textos escritos, salvo nas situações devidamente referidas, são de minha autoria ou, eventualmente, dos que me são próximos. A sua apropriação indevida está vedada a quem o fizer sem a minha autorização. Como compreenderão.

terça-feira, 17 de março de 2015

Paixão...


Ah! Paixão, paixão...
Onde tu moras, 
eu também não.
Onde tu despontas,
eu direi que sim
Onde tu versas, eu sei que... 
enfim...
Onde tu navegas, eu me cruzo, 
talvez...
Quando partes, eu direi...
certa vez!
Onde tu chegas, eu sei que...
é assim.
Que desejas,
eu também, quem sabe?
Uma metade?
Nada menos que inteiro
Se me fico,
é porque me agarras,
É do meu freio.
Pergunto-me...
Em que zona dos céus viajas?
Em que esquina das nuvens te escondes?
Porque me apareces, 
De repente, 
Onde só há água das fontes...
Quando de ti,
Nada me apetece.
E se te arrefece,
Porque desejo infinitamente,
Loucamente,
Desesperadamente?
Sem gota de razão.

Ah! Paixão, paixão...
Onde tu vives,
Eu também não.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

Porquê, esse teu olhar....


(Imagem recolhida na web)













Porquê tanta dor nesse teu olhar?
Porque esgarças
braços e pernas
só por admirar?

Porque não sentes clamor
Quando tanto tens para dar?
Porquê, alma danada,
Cruz encrespada
Mulher amarrotada...?

Porque não abrigas o ardor?
Porque não veneras
a lava em seu esplendor?
Porque não detonas de teu ventre
O viço do teu ser?
A fúria do teu amor?

A graciosidade que ´
somente tu tens
nesse teu olhar?

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Dor de gente...



Se tens dor de gente,
daquelas que só o coração sente,

então...
chora lágrimas de vento,
faz olhos de trovoada,
grita sons de tempestade
e no fim,

fica sem...NADA!

quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

Perdoo-te!...



Sim, perdoo-te...
As noites não esquecidas
O desvario do meu ser
O desengano dos sentidos
O frio entardecer...

Sim, perdoo-te...
O desejo traído
Por um passado irascível
Dores cravadas, que terão ido
Em busca de um amor impossível

Sim, perdoo-te...
A imensidão desse sentir
Porque negra é a sua fome
Voraz em destruir
A beleza que não tem nome

Sim, perdoo-te...
Porque só agora compreendo
As feridas inculcadas
Na minha alma dilacerada
Razão de uma dor, em crescendo.

Por isso te perdoo,
A ilusão do sentir
Sonhos feridos
Vontades desfeitas
A força de partir.

Mas, serei eu?
Alguém para perdoar?
Se em ti procurei
O que em mim encontraste,
A mesma ânsia, o mesmo elixir,
A mesma convicção do amar!?


sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

Só Por Hoje.




Hoje,

Sento-me de fronte a ti, ó mar...

descalço-me das pedras que trago

sufrago essa maresia, 

que me trazes a oferecer...

e liberto-me do meu hálito amargo.


Encho-me do teu som cansado

e deixo-me enriquecer,

entre odores e sabores.

Sento-me de fronte a ti, ó mar...

Só por hoje,

ofereço-me a teu prazer.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

Tanto


(foto de Rute Correia)



Tenho tanto de nada para te dizer
Que sofro só de pensar 
no que irás sentir

Pelo que o melhor 
será nada fazer
Para que tudo em ti
possa fluir

Mesmo do tanto de nada que tenho
Muito de tudo nada será

Se comparado com o tanto que és
Uma flor de liz, 
que em mim, 
amor se faz

terça-feira, 12 de agosto de 2014

Ó Mar, mar...





Ó mar,
que se me queres,
aceito tudo,
tudo o que tens para me dar,
e te retribuirei
com tudo,
tudo o que tenho
para te oferecer

Mas, tira-me deste ser
que eu prometo em nada te envenenar

Ó mar,
como poderei eu em ti respirar,
se me retiras a cada maré
o mareante que preciso sofrer,
se me afago em cada vaga,
ao mastro alapado,
agarrado à vida com um pé,
um quase nada,
para naufragado me retardar?

Mar,
por onde navegas,
deixa-me em ti bolinar,
descobrir certezas
e tristezas não,
e no teu dorso poder alegrar
sorrisos que esquecidos estão
e outros por despertar

Ó mar,
se eu em ti me aprofundar,
promete-me o azul marinho
mais belo, mais cintilante
em puro deleite sentir
Não haverá constelação
que me arrepie
das marés andantes
e do certo devir

Ó mar,
porque não me deixas tu partir?
se  faço juras de te pertencer,
e de sempre te amar?