As fotos expostas, assim como os textos escritos, salvo nas situações devidamente referidas, são de minha autoria ou, eventualmente, dos que me são próximos. A sua apropriação indevida está vedada a quem o fizer sem a minha autorização. Como compreenderão.

terça-feira, 12 de janeiro de 2016

Depuração





a cristalina gota
no auge da chuva
a tudo lava
 ou o sabor quente
que da uva
  brava 

o intenso alto azul 
de cujo pináculo
 a todos protege
ou a profundeza
no olhar
que a todos segue

nada fica
 e tudo se desvanece
ou transforma
na orla deste
salmo
que a vida trafica
hostil à norma





quarta-feira, 4 de novembro de 2015

E saber?...



só quem sabe o que é amar

poderá sentir
o aperto do abraço
ao chegar
e o tumulto de uma lágrima
ao cair

o sorriso feito rosto
no olhar
e a angústia destravada 
no partir

só quem soube em algum momento amar

entenderá
a audácia que é preciso ter
no despedir

e melhor saberá
que não há regresso
no voltar

apenas
saudades de voltar
a sentir








terça-feira, 25 de agosto de 2015

Respirar!




Se for preciso,
voltarei a morrer...
para de tudo isto
sentir...

...O prazer que do viver
nada mais faltará 
a este ser...
que renascer para repetir.

segunda-feira, 22 de junho de 2015

Não Sei...(Part I)




Já não sei o que sou
Já não sei o que sinto,
Não sei para onde vou
Esqueci o esquecimento
Lembrei que já não lembro
O tempo ajudou

Serei amalgama de nada,
Ninharia de tudo
Vértice desfiado
Ou poço surdo
Já não ouço quem me grita
Não vejo quem me sorri

Serei prisioneiro do meu tempo
Ou prisão de mim mesmo
Matéria disforme
Cego a cada momento
De algo cujo nome...

...não tem memória de ser

Não tenho ânsia de sentir
Não me quero agrilhoar
E não me quero deixar ir
Tudo menos falhar
...nesta pretensão de viver!








sexta-feira, 15 de maio de 2015

Saudade



Qual o tamanho da saudade?

Que distância nos destinamos percorrer?

Para dela tudo esquecer?

Será preciso deixar de ter idade?

Ou teremos mesmo de perecer?


Qual o poder desta meia verdade?

Porque nos faz tanto perder?

Porque nos prende com bondade ou maldade?

Porque nos larga sem saber?


Qual a dimensão da saudade?

Será estrela num universo,

Ou sorriso estampado no rosto,

Será insondável segredo avesso,

Memória sem preço,

Ou lágrima de desgosto.

Tanto poder para tanta saudade!











sábado, 11 de abril de 2015

Desejo











Na areia
no estendal
na sementeira
a meio do quintal
com um travesseiro
de cores garridas
e ao longe
umas espigas crescidas

quero foder-te
aí mesmo
nesse emaranhado de coisas
sem camas
e outras tretas
quero rasgar-te
e nos teus ouvidos
gemer-te
sugar-te as mamas
e apurar os sentidos

quero foder-te, sim...
à distância de um beijo
entre laços de pernas
em solfejo
cheirar-te
por dentro
esse perfume
intenso
de tília e jasmin

quero que quero
tamanho sem fecho
pendurado aqui e ali
agarrado onde for
sorver-te tão só
espalhar-te
todo este ardor
em teu corpo
apanhar-te
vestido ou despido
tanto se me dá
apenas te desejo
sugar-te
sem piedade, sem dó

e depois...
quero largar-te
para bem longe
...de ti e de mim...
deixar-te...
sem lágrima
sem angústia
sem lamento
de termos fodido assim






quinta-feira, 26 de março de 2015

Fala-me do Amor.




















Fala-me do amor
dos dias exauridos
das vontades refeitas
das alegrias e tristezas
quimeras e rudezas
da vida
certo dia sonhada
outro travada

Soletra-me essa palavra
e olha com vontade de ver...
..o dia a nascer...
...a noite a sumir...
as dores a crescer
e a esperança a partir

E explica-me
essa coisa
que é partilhar
a memória do ter
sempre
quando me cruzo
com o teu olhar...

um dia,
sentirei a tua falta
ou tu a minha
que interessa?
se neste tempo todo
me deste o sublime prazer
de todas as noites
usufruir,
colados no mesmo peito
nesta vida
neste leito
que juntos
nos viu nascer

Antes...
deixa dizer
que te agradeço
o tudo
e o todo
e mais aquilo
e aqueloutro
as maleitas
e as mezinhas,
as ervas daninhas
os risos,
ambos
nos mesmos braços
vida sem preço
porque
tudo o que em ti
toquei
por amor
me deixei

Sim, fala-me do amor...