As fotos expostas, assim como os textos escritos, salvo nas situações devidamente referidas, são de minha autoria ou, eventualmente, dos que me são próximos. A sua apropriação indevida está vedada a quem o fizer sem a minha autorização. Como compreenderão.

terça-feira, 12 de agosto de 2014

Ó Mar, mar...





Ó mar,
que se me queres,
aceito tudo,
tudo o que tens para me dar,
e te retribuirei
com tudo,
tudo o que tenho
para te oferecer

Mas, tira-me deste ser
que eu prometo em nada te envenenar

Ó mar,
como poderei eu em ti respirar,
se me retiras a cada maré
o mareante que preciso sofrer,
se me afago em cada vaga,
ao mastro alapado,
agarrado à vida com um pé,
um quase nada,
para naufragado me retardar?

Mar,
por onde navegas,
deixa-me em ti bolinar,
descobrir certezas
e tristezas não,
e no teu dorso poder alegrar
sorrisos que esquecidos estão
e outros por despertar

Ó mar,
se eu em ti me aprofundar,
promete-me o azul marinho
mais belo, mais cintilante
em puro deleite sentir
Não haverá constelação
que me arrepie
das marés andantes
e do certo devir

Ó mar,
porque não me deixas tu partir?
se  faço juras de te pertencer,
e de sempre te amar?



terça-feira, 22 de julho de 2014

a imensidão do sentir



passos
passos
oiço os meus pés
quando tocam o chão
sinto o meu corpo
estremecer com os passos
consciente dos degraus
desço subo
trepo escorrego
cravo os olhos
como garras
na beira do abismo
colo o corpo às cores
e a boca aos prazeres
empurro os ombros
para cima
em frente
misturo lágrimas com
tintas 
areias
papéis
suor
saliva
seiva
uma pasta do pó de amolar
barro o meu corpo
todo
e atiro-me à vida
com uma força desconhecida
como uma flecha
lanço-me no abismo estelar
para a imensidão
do sentir


(autor que desconheço, este poema parou-se-me nas mãos)

terça-feira, 1 de abril de 2014

Escrevo-te!


(foto de Paulo Santos - Pajó)




Sim, escrevo-te...
Não sei se para dizer...
Talvez para te ouvir.
Mas, escrevo-te.
Talvez para te sentir,
Ou talvez para de ti
Menos ter.

Não sei porque te escrevo, mas...
Sim, escrevo-te!
Talvez que entre o nada sentir
E o nada dizer,
Te faça entender,
Porque te escrevo.

Escrevo-te!...
Cego pelas palavras
Que não lerás,
Surdo pelos gritos
Que não ouvirás.
Mas, ainda assim...
Escrevo-te!

Por isso te escrevo.
Para que entendas,
São de todas as falésias
A origem deste meu acervo.
São de todas as grutas,
A origem do meu medo.

E escrevo-te, ainda...
Para que não esqueças...
Ou me faças esquecer;
No mundo dos sentidos,
Muito se desvanece,
Até se perder.

Escrevo...
Para que não leias
O que não entenderás.
Entre o que está à frente
E o que fica para trás,
Muito se enleia,
No que eu próprio percebo.

Por tudo isso, te escrevo.
Em redor do meu abraço,
Sem vontade de o travar,
Me desfaço,
Entre letras e palavras,
Escritas faladas,
Esqueço...
Que te escrevo, se o faço.




sábado, 8 de fevereiro de 2014

Ai, Se Eu Pudesse!...



Viajar um dia por inteiro,
Largar e não pegar mais,
Bagagens e coisas tais.
E pela mão,
Uma princesa de palmo e meio.

Ai se eu pudesse...
Fechar os olhos e tudo ver,
Sem nada reconhecer,
Voar sem asas.
E pela mão,
Uma princesa sem temer

Ai se eu pudesse...
Encher o peito e explodir,
Flores lilases e doutras cores,
Brisas frescas e calores,
Caminhar no nada.
E pela mão,
Uma princesa a sorrir

Se eu pudesse...
Tirava tudo e dava nada,
Apenas o ar cá ficava,
E do nada me desviaria,
E pela mão,
Certo dia eu diria,
Uma princesa amada?
Comigo levaria!

domingo, 12 de janeiro de 2014

Espelhos

Senhora da Ribeira, Barragem da Aguieira. Dez2013

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Adeus!

Vagarosamente,
deixo deslizar,
os meus dedos nos teus...

Fruindo uma última vez
as fragrâncias que inalam da tua doce pele.

Mil vezes percorrida,
tantas vezes sentida.

Tu e eu, num só.

Para suspirar por fim, 
tudo de ti em mim.