Trago comigo há muito tempo esta ideia, agora concretizada, de PARTILHAR...lugares, que tiveram a veleidade ou o poder de me tocar, em alguns casos PESSOAS, que fazem parte do meu universo de vida, eventualmente objectos, que de algum modo ou de outro, tiveram o seu papel por alguma razão. Como o tempo nos dá as oportunidades que por isto ou por aquilo deixamos escapar em algum momento, surge agora através deste blogue a concretização da ideia anteriormente referida, mas agora facilitada.
As fotos expostas, assim como os textos escritos, salvo nas situações devidamente referidas, são de minha autoria ou, eventualmente, dos que me são próximos. A sua apropriação indevida está vedada a quem o fizer sem a minha autorização. Como compreenderão.
quinta-feira, 11 de julho de 2013
segunda-feira, 24 de dezembro de 2012
Feliz Natal!
Natal...
Na província neva.
Nos lares aconchegados,
um sentimento conserva
os sentimentos passados.
Coração oposto ao mundo,
como a família é verdade!
Meu pensamento é profundo,
Estou só e sonho saudade.
E como é branca de graça,
a paisagem que não sei,
vista de trás da vidraça
do lar que nunca terei.
(Fernando Pessoa)
sábado, 6 de outubro de 2012
NÃO ME FODAM!
Não me fodam!
Digo eu…
Sempre a ser chamado,
Mais o meu contributo
Para suprir o gamado?
Ah! Filho da puta…o gajo fugiu.
Para onde foi ele, o descarado?
Não me venham com mais troikas
E a ameaça do fim do mundo
Há vida para além dessas moikas
Mesmo num País moribundo.
Ele é fisco e mais confisco
Sob a capa da necessidade
Agh! Estou farto de ser isco
Para tanta falta de verdade.
E as estórias de encantar?
Ouvidas no entretanto?
Mas no acto de governar
Porque sentimos que os tipos
Nos andam sempre a roubar?
Já no longínquo passado assim foi,
E o Povo acossado,
Lançado p’á frente como um boi
“bate c’os cornos, cabrão!
E sorri! Estás a ser filmado!”
De ajuda em ajuda
Justificada com imensos números
Alguém nos acuda e nos livre
De tantos energúmenos
Tiram-nos tudo, os vampiros
E depois arranjam desculpas…
“Foi ele e aquele!...e ainda aqueloutro!”
Qualquer dia isto só lá vai
Não com cravos, mas com tiros!
“Mas é tudo natural”
Desgraçar as pessoas
“Lá fora também é assim e é tudo legal.
Nem sei porque levam a mal.
Se são tudo ideias boas”
Mas cuidado!
Desconfiem quando vos gabam
Tarda não tarda,
Algures no trajecto
Voltarei a ser ultrajado.
Mas haverá nisto algum juízo?
Despojar todo um Povo,
Esmagá-lo como se fosse um ovo?
Ah! “Tens sempre uma solução, EMIGRA!
Mas, para não te perder o rasto
Leva este guizo
Queremos saber do teu rasto
Não se sabe se voltas a ser preciso.”
Por isso eu vos digo…
NÃO ME FODAM!
Já estou farto de ser FODIDO!
sexta-feira, 5 de outubro de 2012
Como Uma Pena...
Como uma pena que vagueia,
Determinada e segura
Ao ritmo irregular dos amuos do vento
Que te sustentam...Liberta
Deixaste-nos…
Vivo na memória
Esse vivaz sorriso,
Essa entrega sem tréguas ao sagrado prazer da vida.
Hoje passei pela tua janela
E respirei a solidão, triste, das paredes e portas
Que te ancoraram nos últimos anos.
Também eu já sinto saudades tuas,
Das tuas mãos rugosas,
Mestres do desenho,
Mestres do desenho,
Pincelando no teu pequeno mundo,
Histórias prenhas de vida,
Histórias prenhas de vida,
Passados que nos uniram
Em redor de outros amores idos.
Um dia,
Encontrar-nos-emos, todos…
E dançaremos, como penas que vagueiam
Do sustento dos amuos do vento
quarta-feira, 25 de abril de 2012
25 de Abril, de 1974!
Grândola, vila morena
Terra da fraternidade
O povo é quem mais ordena
Dentro de ti, ó cidade
Dentro de ti, ó cidade
O povo é quem mais ordena
Terra da fraternidade
Grândola, vila morena
Em cada esquina, um amigo
Em cada rosto, igualdade
Grândola, vila morena
Terra da fraternidade
Terra da fraternidade
Grândola, vila morena
Em cada rosto, igualdade
O povo é quem mais ordena
À sombra duma azinheira
Que já não sabia a idade
Jurei ter por companheira
Grândola, a tua vontade
Grândola a tua vontade
Jurei ter por companheira
À sombra duma azinheira
Que já não sabia a idade
Letra de José Afonso
sexta-feira, 23 de dezembro de 2011
Feliz Natal!
A noite, fria, ficou deserta
A mesa, farta de sabores e de cores,
Fervilhava desperta
Reunia sorrisos e carícias,
Olhares saudosos, de uma cumplicidade total
No fim, trocaram prendas e desejos,
Alegrias e outras delícias,
E sob um brilho cristalino,
Ainda antes dos primeiros bocejos,
Saudaram... o nascimento do Menino
E desejaram a todos
Feliz Natal.
quinta-feira, 10 de novembro de 2011
Simplesmente, voa...
Voa que seja à toa,
Mas, voa passarinho, voa.
Desafia o vento e o mau tempo,
e voa.
Ainda que andes à toa,
Ainda que te cortem as asas,
passarinho, voa.
Saltitando ou pulando
Correndo, sôfrego ou esbaforido,
Gritando em dor, desabrido,
Voa sempre, passarinho, voa.
Não deixes que te cativem o sorriso,
Que te amputem sonhos,
Que te lancem os medos,
Mas, voa, passarinho, voa.
Ainda que seja em segredo.
Esvoaça por entre nuvens e quimeras,
Vai ao encontro de quem esperas.
Bate as asas com rigor,
No calor da revolta
Ou no calar da dor,
Com doçura ou como for,
Mas, voa, passarinho, voa.
Aproveita esse dom
E liberta-nos a todos nós
Do degredo,
Da prisão dos sentidos,
E voa, passarinho,
Voa sem medo.
Descobre mundos sem fundo,
Navega em mares moribundos,
Escala serras e montanhas,
Vai aos limites deste mundo,
Vasculha-lhe as entranhas
E voa, passarinho, voa,
Voa alto ou voa baixo,
Em silêncio ou estrepitoso,
Que cada voo teu
Seja-o também meu,
Vai, passarinho, canta e voa.
Vai, passarinho, canta e voa.
Com asas ou sem asas,
Na amplitude do teu voar,
Solta-te das amarras
Que prendem o teu cantar
E voa, voa, voa, voa....
E voa, voa, voa, voa....
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